LS - Ivo és Natural de onde?
Nasci em Luanda, mas desde os meus 6 meses de idade que vivo em Seia, terra
onde cresci e vivo até hoje, com muito orgulho.
LS - Há quantos anos te começaste a dedicar à
arte?
A minha paixão pela pintura e pelo desenho, começaram quando tinha 12 anos.
Recordo-me como se fosse hoje! Nas minhas férias de verão, sentava-me nos
passeios da "Vila de Seia" e punha-me a desenhar os automóveis que
estavam estacionados! Desenhava de tudo um pouco, consoante as épocas e as
alturas! Quando haviam as provas do rally de Portugal Vinho do Porto, desenhava
as máquinas que competiam naquela altura. Quando havia um campeonato do Mundo
ou da Europa de futebol, desenhava estádios! Fora os desenhos que fazia das
séries televisivas e dos heróis da banda desenhada! Inclusive, cheguei a
elaborar um desenho, de como poderia ser o nosso estádio municipal num futuro
próximo! Foi assim que comecei a minha aventura e a paixão que tenho pelas
artes. Já lá vão 30 anos!
LS - Consideras-te um pintor ou um artista
plástico?
Considero-me um ser humano que não sei viver sem as duas vertentes! Mas
estou mais vocacionado para as artes plásticas.
LS - Consegues fazer da arte vida?
No país e principalmente no meio que resido, é bastante complicado viver da
arte. Poderia sim, ser possível, se tivéssemos uma cultura e uma mente mais
propícia e atenciosa, no que diz respeito a este tema. As pessoas ainda veem a
arte como algo secundário, como uma simples tela pintada que não passa de um
mero objecto decorativo para pendurar em uma parede de casa. A sociedade mais
depressa investe num simples telemóvel que é produzido às centenas e de forma
industrial, já para não falar no valor monetário de um objeto desse tipo, do
que num trabalho artístico criado de forma manual, original, obra única no
mundo e que na grande maioria das vezes, transmite sentimentos, sensações,
emoções e chamadas de atenção pensadas e imaginadas por um artista que leva
para a tela aquilo que vai no seu interior!
LS - Tens feito exposições em que zonas do
País?
Principalmente no nosso concelho e concelhos vizinhos, visto ser muito
complicado elaborar exposições individuais nas grandes cidades. Muitas vezes o
expor não tem a ver com a qualidade do trabalho artístico, mas sim com outros
conhecimentos e interesses que não são a arte em si e o expor os trabalhos de
um artista.
LS - Fazes parte dos artistas senenses. O que
pensas sobre a Artis?
A Artis não deixa de
ser uma excelente iniciativa e um projeto a manter-se vivo. Entretanto, no que
me diz respeito, isto é, nas artes plásticas, penso que ainda se pode fazer
mais e melhor. O número Record de participantes neste evento, não é o mais importante
para mim, pois uma grande maioria dos artistas participantes nem sequer são da
nossa região ou concelho. O que eu quero dizer com isto é que este festival
deveria dar mais enfase com um grande número de trabalhos principalmente dos
artistas locais e amadores, e tentarem ser divulgados e ajudados, no sentido
dos seus trabalhos poderem ser vistos e mostrados nas grandes cidades, como
Lisboa, Porto, etc. Não interessa ter uma Artis só pelo grande número de obras
e durante dois meses os quadros estarem simplesmente afixados em uma parede.
Tem de haver uma inter ligação e comunicação com galerias, empresas comerciais,
hotéis, etc. O Turismo poderia ser um exemplo de elo de ligação com a arte.
Hoje em dia, qualquer hotel, qualquer complexo turístico, tem os seus espaços
decorados com telas que muitas vezes, são cópias baratas que em qualquer loja
asiática estão à venda. Não sei se me fiz entender? Muitos espaços hoteleiros e
turísticos poderíam apostar sim em trabalhos originais, únicos e de valor
realmente artístico e comercial. Todas as pessoas, como clientes, estão
saturadas de entrar em qualquer café, restaurante, pastelaria e afins e
debaterem-se sempre com as mesmas imagens na parede, que são as fotografias da
Serra da Estrela. É importante? É! Mas há que inovar, mostrar ao público coisas
diferentes e começar a educa-las para este mundo maravilhoso que é o universo
das artes.
LS - Achas que faltam apoios da autarquia para
os artistas senenses? Quais?
É claro que faltam importantes apoios nesta área.
Um artista não pode viver somente pintando quadros para agradar as vistas.
Têm de haver formas dos seus trabalhos não serem somente para visualização.
...o meu trabalho artístico, não passa só pela pintura. Também trabalho na área
do design, desde logotipos, cartazes, merchandising, etc. E infelizmente até
nesta área o "bolo" é sempre pata o mesmo, quando deveria ser divido
por todos e darem oportunidade a todos. Muitas vezes, as entidades nem sequer
olham para o trabalho de um artista. Se vale a pena ou não. Se tem qualidade ou
não. Infelizmente vivemos num país que damos primazia aos amigos, aos
familiares e aos favores.
LS - Fazes muitos trabalhos para particulares.
Que género de trabalhos mais te encomendam?
99% dos trabalhos que elaboro e comercializo são para particulares. Pessoas
comuns da nossa sociedade, que olham para um trabalho meu e acabam por
encomendar e comprar. Desde pintura, ao retrato, ao logotipo, ao cartaz, etc.
Não fico só pela pintura, pois é impossível viver só disso. E mais não se faz
porque, falando de entidades e empresas, as parcerias que eles têm, são sempre
com os mesmos.
Através das minhas página de Facebook, por email ou telemóvel.
LS - És um autodidata?
Sim , sou autodidata
LS - Quantas horas passas por dia em torno dos
teus trabalhos?
Os meus trabalhos não têm horário!!:)) Mas todo o dia praticamente é
preenchido à volta do meu trabalho. Muitas vezes são 4, 5, 6 horas da madrugada
a pintar, ou a elaborar outros trabalhos desde o retrato, o desenho de um
logotipo, a elaboração de uma imagem, etc.
LS - Concerteza já ganhaste prémios. Qual ou
quais os que te mais marcaram e porquê?
Como sabem,
não gosto muito de me exibir com prémios e menções honrosas! Mas sim, tenho
coisas importantes no meu currículo da qual me sinto orgulhoso e feliz, das quais
posso mencionar as mais relevantes: 1°prémio no concurso de banda desenhada da
Escola Profissional da Serra da Estrela (1995). 3° prémio no concurso do Brasão
para a Freguesia de Seia (1995). 3°prémio no concurso de elaboração de Vestidos
de Chita da Escola Profissional da Serra da Estrela (1997). - Distinção pública
pelo mérito escolar obtido como estudante da EPSE (1996/97).
- Menção
honrosa no Góis Arte (1999). -Homenagem de mérito no panorama das artes
plásticas -ARTIS (2014) - Titulo de Embaixador da Escola Profissional da Serra
da Estrela como representante do curso de Design Industrial (2017).
Decidi pintar a Fonte dos Mouros a pedido do
Director do Jornal Letras do Alva por se tratar de um monumento com muito
significado para Torroselo, aldeia onde está sedeado o jornal.
LS - O que dirias sobre os artistas senenses em
geral aos nossos leitores?
Que temos
excelentes artistas em todo o Concelho de Seia. Que precisam de ser mais
promovidos, mais valorizados. Com a respetiva ajuda e interesse da comunidade e
das entidades locais, podemos expor mais. Temos as nossas aldeias, as nossas
vilas....temos a hipótese de mostrar o nosso trabalho nas grandes cidades....porque
não expormos até em outros países? Não somos melhores nem piores, só precisamos
de ter vontade e termos a ajuda necessária para podermos conquistar nossos
sonhos e desejos.
LS - Por ultimo o que te apetece dizer para
terminar esta entrevista?
Somos do tamanho dos
nossos sonhos e todos temos direito a um pouco de Sol!!
Entrevista por: Luis Silva
Jornal Letras do Alva
ed. Jun. 2017



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