Desde políticos à sociedade
civil existem por aí muitos oportunistas a vaguear à custa da desgraça
provocada pelos incêndios. Numa altura em que se contabilizam os prejuízos, as
autarquias através das Juntas de Freguesia solicitam aos proprietários que
viram os seus terrenos agrícolas ardidos e os seus olivais e vinhas devastados
para transmitirem a relação dos bens ardidos. É preciso estar atento e não
acreditar em todos os dados que se dão. É preciso fiscalizar as áreas
declaradas. Se no caso de Seia e Oliveira do Hospital não é assim tão difícil
comparar a relação que as pessoas entregam com a verdadeira área dos terrenos
que têm devido à existência do cadastro de terras recentemente elaborado, já no
vizinho Concelho de Gouveia isso não acontece pela inexistência desse mesmo
cadastro. Vivermos à custa da desgraça do alheio não. Por exemplo, se um
proprietário de um olival verificar que as oliveiras apenas arderam pela rama
esse mesmo proprietário não deverá declarar as oliveiras ardidas, pois a devido
tempo elas voltarão a rebentar. Declarar sim mas apenas o que já não tiver
recuperação. Neste caso das oliveiras devem declarar apenas as que arderam pelo
tronco e consequentemente tombaram. O mesmo critério se aplica a vinhas e a
outras espécies arbóreas nomeadamente frutícolas. Se alguém a quem arderam 50
pés de Macieiras declara que lhe arderam 100 pés, essa pessoa não está a ser
honesta com o Estado nem com as verdadeiras vítimas dos incêndios. Não nos
devemos esquecer que o dinheiro que será atribuído às vítimas dos incêndios vem
do bolso do Estado e o Estado somos nós todos. É preciso não se atribuir
dinheiro a quem não deve para que o mesmo chegue a todos que o merecem, pois,
caso contrário teme-se que o dinheiro e os subsídios possam chegar aos bolsos
onde não devem chegar. Contrariamente à prevenção e fiscalização que não foi
feita e que falhou antes dos incêndios, agora, essa mesma fiscalização que não
deixe de actuar por uma questão de justiça na repartição do dinheiro de todos
nós contribuintes para que chegue a quem realmente necessite.
Luis Silva

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